PERSONAGENS DE ABAETETUBA
O vendedor de jornais “DENTE”, auto-intitulado jornalista
era analfabeto.
Andava pelas ruas arborizadas de mangueiras e ameixeiras, gritando as
manchetes. Uma delas: “FILHO ESPANCA O PAI E MOSTRA O PAU PRA MÃE...”
O carregado “CEARÁ” ficava
possesso quando era apelidado de “ Ceará, Orelha Grossa” e retrucava aos
berros: “ORELHA GROSSA É A PUTA QUE PARIU”. “É A TUA MÃE, FILHO DUMA PUTA”. “TEU PAI É
CORNO’. Etc. Certa ocasião ao se ajoelhar e, concomitantemente, se benzer de
frente para o Cristo, alguém passou de bicicleta e gritou: “... Ceará, orelha
grossa”. Sem interromper as mesuras,
Ceara retrucou: “Orelha grossa é a... etc. etc. etc.”
O vendedor de picolés, ASSIS, andava pelas ruas arborizadas
de mangueiras e ameixeiras, com uma caixa na cabeça, gritando: “OLHA O PICOLÉ”.
“COMPRE PICOLÉ”. “PICOLÉ GELADO, MEU PATRÃO ME DEU ORDEM PARA NÃO VENDER FIADO”.
“PRINCIPALMENTE PRA QUEM ESTÁ DESEMPREGADO.” Etc.
O vendedor de “mutamba e olho de quina”, “CHICO DOIDO”
andava pelas ruas arborizadas de mangueiras e ameixeiras, tinha fregueses
certos (papai era um deles). “seu Chico” dizia que mutamba era muito boa para
os cabelos: evitava queda e embranquecimento precoce e deixava brilhosos etc. Papai usava e passava
nos meus cabelos encaracolados. “Seu Chico” tinha razão. Após se despedir do
freguês, cantava: “Adeus, Corina que já vou embora. Calça de veludo e bunda de
fora”
Penso que alguns amigos, como o Benicio Lobato Cruz, Antônio
Afonso de Souza (“Molenga), Lial Bentes, Alcir Figueiredo, Davi Figueiredo etc. nunca usaram “mutamba”. Talvez tenham usado
como lubrificante.
