quarta-feira, 29 de agosto de 2012


PERSONAGENS DE ABAETETUBA

O vendedor de jornais “DENTE”, auto-intitulado jornalista era analfabeto. Andava pelas ruas arborizadas de mangueiras e ameixeiras, gritando as manchetes. Uma delas: “FILHO ESPANCA O PAI E MOSTRA O PAU PRA MÃE...”
O carregado “CEARÁ”  ficava possesso quando era apelidado de “ Ceará, Orelha Grossa” e retrucava aos berros: “ORELHA GROSSA É A PUTA QUE PARIU”. “É  A TUA MÃE, FILHO DUMA PUTA”. “TEU PAI É CORNO’. Etc. Certa ocasião ao se ajoelhar e, concomitantemente, se benzer de frente para o Cristo, alguém passou de bicicleta e gritou: “... Ceará, orelha grossa”.  Sem interromper as mesuras, Ceara retrucou: “Orelha grossa é a... etc. etc. etc.”
O vendedor de picolés, ASSIS, andava pelas ruas arborizadas de mangueiras e ameixeiras, com uma caixa na cabeça, gritando: “OLHA O PICOLÉ”. “COMPRE PICOLÉ”. “PICOLÉ GELADO, MEU PATRÃO ME DEU ORDEM PARA NÃO VENDER FIADO”. “PRINCIPALMENTE PRA QUEM ESTÁ DESEMPREGADO.” Etc.
O vendedor de “mutamba e olho de quina”, “CHICO DOIDO” andava pelas ruas arborizadas de mangueiras e ameixeiras, tinha fregueses certos (papai era um deles). “seu Chico” dizia que mutamba era muito boa para os cabelos: evitava queda e embranquecimento precoce  e deixava brilhosos etc. Papai usava e passava nos meus cabelos encaracolados. “Seu Chico” tinha razão. Após se despedir do freguês, cantava: “Adeus, Corina que já vou embora. Calça de veludo e bunda de fora”
Penso que alguns amigos, como o Benicio Lobato Cruz, Antônio Afonso de Souza (“Molenga), Lial Bentes, Alcir Figueiredo, Davi Figueiredo etc.  nunca usaram “mutamba”. Talvez tenham usado como lubrificante. 


ROUBANDO PÃO

NO INÍCIO dos anos 70, ainda havia casas em Abaetetuba, nas quais pães eram entregues de madrugada. Eu era professor de várias disciplinas, inclusive Educação Física no GBPB, onde não havia quadra de esportes*. Saía com os alunos de madrugada para praticar esportes e outras atividades físicas nas ruas, praças, campos de futebol, estrada principal etc. (àquela época andava-se sem medo, diuturnamente, pela cidade). Numa dessas madrugadas, deparamos com o entregador de pão na casa da D. Lucimar. Após colocar a sacola de pães na janela, bateu na parede pra avisar o morador e saiu. O “Fran” Lopes, um dos alunos, subiu à varanda pra “roubar” os pães. Ao pegar a sacola, a janela se abriu e apareceu alguém. O “Fran”, já com a sacola de pão, meio sem jeito, entregou a sacola e falou: “Taqui o pão...”  .Anos depois, “Fran” e Sandra¹ se casaram.
¹ Sandra, para quem não sabe, é filha do casal Manoel Leite e Lucimar e irmã do “Méia”, Lourival e  “Manoelzinho”